O 'SERVO SOFREDOR' DE ISAÍAS 53

O 'SERVO SOFREDOR' DE ISAÍAS 53
Este estudo foi preparado em conformidade com a interpretação tradicional judaica, sendo que as citações
apresentadas foram extraídas diretamente do texto hebraico e as traduções seguem o padrão da
Jewish
Press
Bible
, em inglês.
ISAÍAS 53:1
Mi heemin lish'muatênu, uz'rôa Adonay al mi niglatah?
1 Quem acreditou em nosso relato e o braço do S-nhor a quem foi revelado?
“Quem acreditou em nosso relato?”
- O Servo do S-nhor (isto é, o remanescente fiel
de Israel – os profetas e justos de todas as gerações) era constantemente ignorado pelo
resto do povo o qual não acreditava em suas palavras de exortação ao arrependimento. Os
israelitas são reconhecidos por D-us como sendo Suas “testemunhas” (Isa 43:10), todavia
nem sempre o relato transmitido por essas testemunhas tem sido aceito, seja pelos
rebeldes dentre o próprio povo, ou seja ainda pelas nações as quais Israel serve de luz (Isa
42:6). Por esta razão Isaías diz, “Quem acreditou em nosso relato?” (Veja II Cro 24:19); O
povo era aconselhado por todos os profetas a voltarem do seu mau caminho e a cumprir os
mandamentos de D-us (II Rs 17:13) e mesmo assim, muitos deles foram mortos (I Rs
19:10).
REFUTAÇÃO DA POSIÇÃO CRISTÃ
Se este verso diz respeito a Jesus, como explicar o fato narrado pelo NT que as multidões
se admiravam da sua “doutrina” e que seguiam-no para cima e para baixo, admirados pelos
seus ensinamentos? (Mat 4:25/7:28) Se ninguém acreditava em Jesus por que as
autoridades não queriam prendê-lo durante a Páscoa para evitar um motim entre o povo?
(Mar 14:2) Se ninguém acreditou em Jesus por que diz-se que muitos sacerdotes
tornaram-se cristãos? (At 6:7) Enfim, se ninguém acreditou em Jesus, por que Roma se
preocuparia com ele, condenando-o à morte?
“...e o braço do S-nhor a quem foi revelado?” -
Na Bíblia, a palavra “braço” tem o
sentido de “
poder de salvação
”, e vemos por várias passagens que foi a Israel que o S-nhor
revelou o Seu braço, pois foi ao povo judeu que o Eterno manifestou de forma maravilhosa
o Seu grande
poder para salvar
quando estavam oprimidos:
Exo 6:6 Israel resgatado com braço estendido e com grandes juízos.
Deu 4:34 Israel tirado do Egito por D-us com mão poderosa e braço estendido.
(Veja ainda: Deu 5:15/ 7:19/9:29/ 26:8/ Sal 44:3/ 77:15/ Isa 33:2/ 59:16)
REFUTAÇÃO DA POSIÇÃO CRISTÃ
Se este texto diz respeito a Jesus, pedimos que nos expliquem se algum dia Jesus teria
precisado que D-us lhe manifestasse Seu “braço”, isto é, Seu poder de salvação. Se isto foi
assim, então Jesus também precisou ser salvo e não pode ser “salvador”.

ISAÍAS 53:2
Va-yaal ka-yonek lefanáv ukhe-shoresh me-êretz tsiáh. Lô toar lo ve-lô hadar ve-nir'ehu
ve-lô mar'eh ve-nech'medehu.
2 Mas ele subiu como um lactente diante d'Ele e como raiz de uma terra seca.
Ele não tinha formosura e nem glória para que o notássemos, e nem
aparência para que o desejássemos.
“Ele subiu como um lactente...”
- O Servo do S-nhor (o remaescente fiel de Israel) é
retratado pelo profeta como um “lactente” que sobe (cresce) diante de D-us, como um bebê
que cresce e se desenvolve diante de seu Pai. Israel é mencionado várias vezes pelos
profetas como uma criança, como um menino – filho de D-us:
Ose 11:1 Quando Israel era menino, eu o amei, e do Egito chamei a meu filho.
Exo 4:22 Assim diz o Senhor: Israel é meu filho, meu primogênito.
Exo 4:23 Deixa ir meu filho (Israel), para que me sirva.
Deu 1:31 Deus levou Israel como um homem leva seu filho por todo o caminho.
“...como raiz de uma terra seca”
- Israel cresceu diante de D-us, Seu Pai celestial,
como um ramo verdejante em um deserto abrasante e seco:
Sal 80:8-9 Israel é uma videira frondosa cultivada por D-us.
Deu 32:9-10 D-us achou Israel numa terra deserta, num êrmo de solidão.
Ose 13:4-5 D-us conheceu Israel no deserto, em terra muito seca.
Jer 2:6 D-us fez Israel subir do Egito por uma terra de sequidão.
“...não tinha formosura...e nem aparência para que o desejássemos” -
Israel
desde os seus primeiros dias até hoje não parece atraente diante das nações; Os povos do
mundo têm historicamente desprezado o povo judeu, relegando-o como um rejeitado e
renegado. Isto é um fato inegável desde que os judeus estiveram cativos no Egito até os
dias do holocausto nazista.
Isa 51:7 Israel não deve preocupar-se com a injúria dos homens.
Jer 33:24 Israel desprezado e ignorado como povo pelas nações.
REFUTAÇÃO DA POSIÇÃO CRISTÃ
Se esta passagem refere-se a Jesus, como explica-se o fato de Israel ter sido chamado de
“filho” de D-us e “primogênito” muito tempo antes? Note que o termo “primogênito”
refere-se ao primeiro filho gerado, o mais importante. Não podem existir dois
primogênitos, e assim, Jesus não pode ser chamado de “primogênito” de D-us quando
Israel já foi chamado assim séculos antes. No evangelho de Mateus 2:15, o autor cita Oséias
11:1, aplicando-a a Jesus – mas note as diferenças:

Mat 2:15 “e lá ficou até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito da
parte do Senhor pelo profeta:
Do Egito chamei o meu filho

Mateus dá a entender que Oséias teria “profetizado” a ida de Jesus ao Egito. Mas, vejamos
se isso é assim:
Ose 11:1 “Quando
Israel
era menino, eu o amei, e
do Egito chamei o meu filho

REFUTAÇÃO DA POSIÇÃO CRISTÃ
Veja: quem é mesmo chamado de “filho” de D-us pelo profeta Oséias? Israel, é claro! Não
tem nada a ver com Jesus ou com qualquer outra pessoa. Se Mateus era confiável e agia de
boa fé, por que então
omitiu
vergonhosamente a primeira parte do verso de Oséias que diz
claramente
que o filho tirado do Egito é Israel? Sejamos honestos com a verdade!
E mais: Será que Jesus foi conhecido numa terra seca, desértica assim como ocorreu com
Israel como já vimos? Bem, todos sabem que Jesus teria nascido na Judéia ainda que haja
controvérsias entre os pesquisadores, pois segundo alguns ele nasceu na Galiléia. Seja a
verdade qual for, fato é que ambas as regiões ficam dentro das fronteiras de Israel, que de
acordo com a Bíblia não é uma terra seca, um deserto – mas sim, “uma terra que mana
leite e mel” (Exo 13:5), uma terra fértil (Nee 9:35), terra de trigo e cevada, de vides e
figueiras, de azeite e mel (Deu 8:8).
E finalmente, quando foi Jesus alguém não desejado? Os gentios até hoje seguem
cegamente sua doutrina, multidões e gerações acreditaram nele e desejam seguir seus
passos como se ele fosse alguém digno de ser seguido. Além disso, os cristãos tem em Jesus
o “desejado de todas as nações”, numa referência a Ageu 2:7. Como pode ser ele o
“desejado das nações” e ainda assim “não ter aparência para que fosse desejado”??
ISAÍAS 53:3
Nivzeh va-chadal ishim ish mackheovot vi-yidua choli ukhe-master panim mimênu
nivzeh ve-lô chashavnuhu.
3 Ele foi desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de dores e
experiente em enfermidades. E como alguém de quem se esconde o rosto, nós
o desprezamos e não o consideramos.
“...desprezado e rejeitado pelos homens”
- Não é necessário investigar muito a
fundo a história de Israel para percebermos o quanto este povo foi desprezado pelos outros
povos: primeiro, faraó os oprimiu no Egito; depois, vieram os inimigos de Babilônia, da
Assíria, da Grécia e Roma. Com o surgimento do cristianismo, os judeus (o povo de Israel)
foi duramente perseguido, humilhado e quase destruído pela sanha sanguinária ds líderes
desta religião, quer fossem eles católicos ou protestantes. Vieram as inquisições, os
pógroms, expulsões em massa, o exílio, as deportações, as calúnias de sangue e finalmente
em pleno século XX a maior das catástrofes: o holocausto (em hebraico,
shoah
), no qual
seis milhões de judeus pereceram nos fornos crematórios ou envenados.

“homem de dores...experiente em enfermidades”
- Israel é sem dúvida o “homem
de dores, experiente em enfermidades” mencionado por Isaías. Dele os povos até hoje
escondem o rosto, desprezando-o e desconsiderando-o.
Isa 49:7 Israel desprezado dos homens, aborrecido das nações, servo dos tiranos.
Sal 44:13 Israel como opróbrio aos seus vizinhos, escárnio e zombaria.
Sal 44:14 Israel, provérbio entre as nações, meneio de cabeça entre os povos.
Jer 10:19 Israel quebrantado; sua chaga causa grande dor.
Jer 30:12 O ferimento de Israel é gravíssimo.
Veja ainda Isa 51:7/54:6/60:14-15/ Jer 18:16/ 33:24.
REFUTAÇÃO DA POSIÇÃO CRISTÃ
E quanto a Jesus? Foi ele algum dia “desprezado” dos povos? Não é isso que diz o NT. Ele
era seguido por multidões: Será que isto significa ser “desprezado”? (Mat 4:25; Luc 23:27)
Jesus era famoso por toda a Galiléia e por todos era admirado (Luc 4:14-15). É isso que
significa ser desprezado? Não é o que parece. Hoje cerca de 1/3 da população mundial
(cerca de 2 bilhões de pessoas) vê em Jesus uma espécie de “deus” - isso é ser
“desprezado”? Não é o que parece!
Jesus não trabalhava e aconselhava os outros a também não trabalhar (Joa 6:27); vivia de
doações e ofertas, sendo sustentado por mulheres (Luc 8:1-3); além disso, vivia nos
banquetes e grandes festas (Luc 7:36/11:37/14:1), e dava-se com ricos e famosos. Será que
isso pode ser considerado como uma vida de sofrimentos e dores? Dificilmente...
ISAÍAS 53:4
Akhen, cholayênu hu nassá umakheoveinu s'valam va-anachnu chashavnuhu nagua
mukeh Elohim umeuneh.
4 Certamente ele levou as nossas enfermidades, e nossas dores suportou e nós
o tínhamos como alguém abatido, ferido de D-us e oprimido.
“...ele levou as nossas enfermidades”
- O Servo de D-us, o fiel remanescente de Israel
sofre juntamente com os pecadores dentre o povo, levando suas dores. Assim, vemos os
profetas e justos antigos pedindo e intercedendo pelos que de fato pecaram contra as leis
de D-us. Moisés por exemplo, pediu a D-us que perdoasse o pecado do povo, levou sobre si
a “enfermidade” de sua nação (Exo 32:11-12); Daniel, embor a sendo justo, assumiu a culpa
pelo erro do seu povo em suas orações, levou por assim dizer, as “enfermidades” de sua
nação e de sua gente (Dan 9:4-5); Jeremias é um outro bom exemplo em sua ousada e
apaixonada defesa do povo judeu, mesmo quando esse não correspondia à vontade de D-us
(Jer 30:23-25).

“ferido de D-us e oprimido”
- Israel foi ferido de D-us, pois segundo os profetas, foi o
próprio Eterno que causou sua chaga e Ele mesmo e quem a sara:
Isa 60:10 D-us feriu Israel em sua ira.
Ose 6:1 D-us feriu Israel e é quem o cura.
Sal 44:19 Israel foi ferido pelo Eterno.
REFUTAÇÃO DA POSIÇÃO CRISTÃ
Jesus não tomou sobre si as dores ou enfermidades de ninguém, uma vez que disse que
quem desejasse seguí-lo deveria tomar sua
própria
cruz (Mat 16:24). Assim, ele não pode
ser considerado como alguém “ferido de D-us” no sentido de trazer a redenção; ele foi sim
ferido
por
D-us, foi considerado “maldito” (Deu 22:21-23) pelas suas próprias
transgressões e recebeu sobre si mesmo a paga pelas suas más obras, morrendo pendurado
no madeiro, isto é, sobre uma cruz romana.
ISAÍAS 53:5
Ve-hu mecholal mi-peshaeinu medukah me-avonoteinu mussar shlomenu alav uva-
chavuratô nirpá lanu.
5 E ele foi profanado pelas nossas transgressões, oprimido pelas nossas
iniqüidades; a disciplina da nossa paz estava sobre ele, e pelo seu ferimento
fomos curados.
“...profanado pelas nossas transgressões”
- Israel foi chamado de povo santo,
separado para seu D-us (Deu 7:6). Entretanto, as transgressões da maioria rebelde do povo
fez com que sua vocação à santidade fosse profanada; isso ocorreu também com a terra de
Israel e com o Templo sagrado (Eze 24:21).
“a disciplina da nossa paz estava sobre ele”
- A disciplina, a palavra de exortação ao
arrependimento que pode sempre trazer a paz sobre todo Israel está na boca dos justos
dentre o povo. O ímpio todavia rejeita a palavra de correção e ignora a disciplina; nessa
passagem, há uma espécie de reconhecimento de que a palavra proferida pelo Servo do S-
nhor é aquilo que pode trazer a paz (Jer 25:4/29:19/35:15/Dan 9:6 e 10).
“pelo seu ferimento fomos curados”
- Os justos de Israel sofreram terrivelmente pela
opressão e pelo aperto dos inimigos do povo de D-us. Entretanto, foram justamente estas
feridas que trariam a paz e a cura para todo o povo. Nunca faltaram justos em Israel para
pedir e rogar ao Eterno pelo povo rebelde. Jeremias é um clássico exemplo:

Estou quebrantado pela ferida da filha do meu povo; ando de luto; o espanto apoderou-
se de mim
” (Jer 8:21)

Portanto lhes dirás esta palavra: Os meus olhos derramem lágrimas de noite e de dia, e
não cessem; porque a virgem filha do meu povo está gravemente ferida, de mui dolorosa
chaga
”. (Jer 14:17)

REFUTAÇÃO DA POSIÇÃO CRISTÃ
Jesus pelo que notamos não foi profanado pelas transgressões de ninguém, senão pelas
dele mesmo pois blasfemava constantemente querendo ser D-us e menosprezando o ser
humano (Mat 15:26/23:33/João 5:18). A disciplina da paz do povo judeu nunca esteve
sobre Jesus pois ele jamais pediu a D-us por eles e nunca os defendeu diante dos seus
inimigos como fizeram os grandes profetas. A “disciplina” que Jesus ensinava não serviu
para nada, pois buscava fazer dos judeus suas vítimas, fazendo-os aceitar um ser humano
(ele mesmo) como D-us, uma heresia imperdoável pela lei judaica. Ninguém foi curado
pelos ferimentos inflingidos a Jesus, uma vez que aqueles que o feriram (os gentios)
sempre tiveram sua simpatia ao contrário dos judeus que eram supostamente seu povo.
Suas condenações e críticas eram constantemente dirigidas aos judeus – nenhuma palavra
de conforto ou de consolação.
ISAÍAS 53:6
Kulanu ka-tson taínu; ish le-darkô paninu, va-Adonay hifgía bo et avon kulanu.
6 Todos nós como ovelhas nos desgarramos; nos desviamos cada um pelo seu
caminho, e o S-nhor o atingiu com o pecado de nós todos.
“...como ovelhas nos desgarramos”
- O povo de Israel sempre foi comparado nas
Escrituras às ovelhas do pasto, guiadas por D-us. Entretanto, as ovelhas (o povo judeu) vez
ou outra se desgarrava devido ao descuido de seus pastores (líderes politicos e religiosos).
Jer 50:6 O povo de D-us como ovelhas desgarradas; seus pastores as fizer am errar.
Ez 34:6 O povo de D-us como ovelhas espalhadas por todas as nações.
“...o S-nhor o atingiu com o pecado de nós todos”
- O pecado de toda a nação [e
também dos gentios] atinge o Servo do S-nhor, ferindo e quebrantando-o.
Jer 8:21 Jeremias ferido pelo pecado de seu povo.
Jer 15:18 Dor perpétua e ferida incurável atinge o profeta.
REFUTAÇÃO DA POSIÇÃO CRISTÃ
Jesus ao contrário de buscar as ovelhas desgarradas, tentou fazer com que as que já
estavam congregadas se desgarrassem; fez isso quando insistiu em ser reconhecido como
D-us ou como parte da Divindade; fez isso também quando tentava desviar os judeus de
sua Lei ancestral, voltando-se ao culto pagão dos deuses semi-humanos. Assim, o pecado
de ninguém o atingiu, senão o dele mesmo e teve o fim merecido em conformidade com
suas más obras.

ISAÍAS 53:7
Nigash ve-hu naaneh ve-lô yiftach piv, ka-seh la-têvach yuval, ukhe-rachel lifnei
goz'zeiha neelamah ve-lô yiftach piv.
7 Ele foi afligido, tiranizado e ainda assim não abriu sua boca; como um
cordeiro levado ao matadouro e como ovelha muda perante seus
tosquiadores, ele não abriu sua boca.
O remanescente justo de Israel sofreria os terrores do exílio, da deportação e a morte sem
abrir sua boca; tal como o cordeiro que vai para a morte ingenuamente, o Servo sofre sem
ter culpa alguma e sem entender bem por que tudo aquilo acontece.
Isa 42:2 O Servo não clama, não se exalta e nem se ouve sua voz nas praças e ruas.
Sal 44:11 Entregues como ovelhas para o pasto.
Sal 44:22 Entregues à morte como ovelhas para o matadouro.
Isa 50:6 A resignação do Servo.
REFUTAÇÃO DA POSIÇÃO CRISTÃ
E quanto a Jesus? Será que ele não abriu sua boca diante de seus acusadores e na presença
daqueles que o condenaram à morte? Quando o servo do sumo-sacerdote lhe bate no rosto,
ele ao contrário do que pregava, não deu “a outra face”, mas reclamou do golpe (João
18:22-23); Em João 18:33-37 ele
abre sua boca
novamente para apresentar sua defesa
diante de Pilatos e finalmente na cruz ele mais uma vez
abre sua boca
, desta vez para
queixar-se do abandono que sofrera da parte do seu “deus” (Mat 23:46). Assim, Jesus
definitivamente não se enquadra à figura de uma “ovelha muda” que não abre a boca
diante de seus tosquiadores, isto é, como alguém que por estar fazendo a vontade de D-us
sofre resignadamente a opressão dos inimigos.
ISAÍAS 53:8
Me-otser umi-mishpat lukach ve-et dorô mi yesocheach? Ki nigzar me-êretz chayim, mi-
pêsha ami nêga lamô.
8 Pela opressão e pelo juízo foi tirado e sua geração quem mencionará? Pois
ele foi cortado da terra dos viventes, pela transgressão do meu povo houve
ferimento para eles.
“Pela opressão e pelo juízo foi tirado”
- O Servo do S-nhor (os justos em Israel) foi
tirado, tomado, levado pela opressão de seus inimigos e também pelo juízo divino. A
combinação desses dois fatores fez com que o Servo passasse por todas as crises e que
pudesse assim por seu testemunho fiel, servir de meio para trazer novamente a paz ao povo
de D-us. A “opressão” na passagem refere-se aos inimigos do povo de D-us (Babilônia,
Grécia, Roma, a Igreja, etc); o “juízo” por sua vez reflete a mão de D-us que fere o Servo
atingindo-o com todo tipo de aflições e que mais tarde traz-lhe a cura (ver Ose 6:1-3).

“...e sua geração quem mencionará?”
- A penúria pela qual o Servo teria que passar
chega a impressionar o profeta levando-o a questionar se haveria alguém que pudesse fazer
menção de sua posteridade. O sofrimento que os servos de D-us passariam colocaria em
risco toda a sua geração; os seus inimigos certamente não pouparam esforços na tentativa
maquiavélica de eliminar da face da terra sua incômoda presença. Entretanto, apesar do
duro castigo imposto ao Servo, há o anúncio da redenção e do livramento: “
Tu não temas,
servo meu, Jacó, diz o S-nhor; porque estou contigo; pois destruirei totalmente todas as
nações para onde te arrojei; mas a ti não te destruirei de todo, mas castigar-te-ei com
justiça, e de modo algum te deixarei impune
” (Jer 46:28).
“...ele foi cortado da terra dos viventes”
- O termo “cortado” como usado por Isaías
refere-se à morte, e ao exílio por extensão. Ser cortado da terra dos viventes é o mesmo que
ser morto ou desterrado, exilado de sua terra natal, e da terra por excelência, a Terra de
Israel. O profeta Jeremias como modelo do Servo do S-nhor, sentiu-se como cordeiro
levado ao matadouro, vítima daqueles inimigos que tencionavam eliminá-lo: “
Mas eu era
como um manso cordeiro, que se leva à matança; não sabia que era contra mim que
maquinavam, dizendo: Destruamos a árvore com o seu fruto, e
cortemo
-lo da
terra
dos viventes
, para que não haja mais memória do seu nome
” (Jer 11:19). Assim sentia-
se o Servo do S-nhor:
Eze 37:11 “
Então me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis
que eles dizem: Os nossos ossos secaram-se, e pereceu a nossa esperança;
estamos de todo cortados

“Pela transgressão do meu povo houve ferimento para eles”
- O Servo de forma
coletiva foi atingido pela transgressão de todo o povo rebelde, e recebeu a ferida e o
quebrantamento sem embora merecê-lo. A tradução deste verso poderá surpreender
aquele que não está familizarizado com o hebraico bíblico, entretanto a expressão
encontrada no final do verso (“para eles”) traduz-se do termo
[
lamô
]. Esta expressão
hebraica é encontr ada em cerca de 20 versos nas Escrituras, especialmente em Jó 24:17 e
Sal 88:8 onde a mesma é vertida pela Almeida como “para eles” (note o plural).
No caso de nosso texto (Isa 53:8) não poderíamos esperar que as versões em português ou
em qualquer outra língua moderna vertesse o termo desta forma, no plural pois isto seria
um golpe fatal na idéia cristã de que o Servo do S-nhor retratado pelo profeta seria uma só
pessoa, no caso Jesus. Percebemos aí e em muitos outros casos, a desonestidade intelectual
dos chamados “eruditos” cristãos.
Ao usar o plural (“para eles”), Isaías demonstra cabal e insofismavelmente que o Servo do
S-nhor é um personagem coletivo – não trata-se portanto de uma só pessoa, mas sim, de
várias. Como vimos, o termo inclui todos os justos de Israel de todas as gerações, profetas,
patriarcas, reis e pessoas comuns que fizeram a vontade de D-us, chamando o restante do
povo ao arrependimento e à conversão.
REFUTAÇÃO DA POSIÇÃO CRISTÃ
Jesus não foi levado pela opressão dos inimigos do povo de D-us pois ao contrário dos
profetas das Escrituras, não denunciou o opressor estrangeiro – antes, foi conivente com
ele. Cedeu a Roma quando tacitamente concordou com o pagamento dos pesados tributos
impostos pelos dominadores (Mat 22:21), entretanto nos evangelhos não vemos jamais ele

devolvendo os dízimos no Templo; Jesus nunca criticou o poder político dominante, no
caso o Império Romano – preocupou-se mais em falar mal dos líderes e príncipes do seu
povo (Mat 23), algo condenado pela Lei bíblica (Exo 22:28). Quando inquirido sobre sua
pretensa identidade messiânica diante do potentado romano, ele acovardou-se não
assumindo publicamente o que ensinava aos seus chegados, isto é, que ele seria o Messias
enviado de D-us; ele certamente não o fez diante de Pilatos porque isto poderia acarretar
em crime de
lesa
majestade
, podendo ser acusado de insurreição política. Quanto a ser
tirado pelo juízo (divino), cristão algum concordaria com isso pois evidenciaria que Jesus
sofreu um castigo pelas mãos de D-us.
A “geração” de Jesus, isto é, sua memória não correu jamais risco de ser esquecida, uma
vez que sua doutrina prevaleceu no mundo de então, ganhando todo o orbe romano por
decreto à partir do séc. III EC. Logo, não é sobre ele que Isaías fala.
Jesus morreu (de forma prática) por aqueles que o aceitam. Logo, sua morte so pode
significar alguma coisa para as pessoas que acreditam que seus pecados afetaram-no,
causando sua sina fatídica na cruz. O profeta Isaías afirma: “
pela transgressão do meu
povo foi ele atingido
” - Isaías pertencia ao povo judeu, e para os judeus, a morte de Jesus
nao tem o valor que os cristãos lhe conferem. Logo, Isaías falava sobre outras pessoas, e
não sobre o deus cristão.
ISAÍAS 53:9
Va-yiten et reshayim kivrô veet ashir be-motav al lô chamás assah ve-lô mirmah be-piv.
9 E foi-lhe dada sepultura com os ímpios e com os ricos em suas mortes
apesar de não ter feito violência e de não existir engano em sua boca.
“E foi-lhe dada sepult
ura com os ímpios”
- O Servo do S-nhor recebeu “sepultura”
juntamente com os que mereciam a morte, ou seja, os ímpios dentre o povo. Como
afirmamos anteriormente, a morte aqui e tudo o que se relaciona a ela não significa
necessariamente a interrupção da existência física. “Morte” nessas passagens é uma
espécie de metáfora para aludir ao exílio, à deportação (cf. Sal 107:10-14/Eze 37/Ose 13:14-
16). O Servo (os justos dentre o povo) foi ao exílio, e em certo sentido, deram-lhe sepultura
juntamente com os malévolos que não deram ouvidos às palavras dos profetas. Basta
lembrar de Daniel e seus companheiros em Babilônia; de Esdras, Neemias e Zorobabel nos
dias da Média e Pérsia e depois de todos os justos que foram dispersos depois do ano 70
EC.
“...e com os ricos em suas mortes”
- O “pobre” não necessariamente no sentido
econômico, é às vezes colocado em oposição ao “rico”, ao mais favorecido. Diz o salmista
que “o ímpio...persegue furiosamente ao pobre” (Sal 10:2). Logo,
os ricos
aqui significam
os ímpios
– e o que temos é uma repetição da frase anterior usando outras palavras, o que
é característico da literatura hebraica. Este recurso literário é chamado de
paralelismo
:

foi-lhe dada
sepultura
com os
ímpios
= com os
ricos
nas suas
mortes
Temos uma aparente inconsistência nesse verso. Ninguém “morre” mais de uma vez, então
como explicar nossa tradução da última parte do verso
“em suas mortes”
? Mais uma vez,
nossas versões em língua portuguesa nos desamparam e não nos deixam perceber esta
realidade. O profeta escreveu “nas suas mortes” (note o plural) e não “na sua morte”
(singular). A palavra em hebraico para “morte” é
(
mot
), e se Isaías pretendesse dizer
“na sua morte” (singular), ele teria escrito
(
be-motô
); ao contrário disso, ele escreveu
(
be-motav
), onde o sufixo
corresponde à uma forma do possessivo
plural
,
traduzido como “suas”. Hoje em dia infelizmente nenhuma versão em língua portuguesa
transmite esta realidade.
Mas, voltando à questão: como explicar o uso do plural aqui visto que ninguém morre mais
do que uma vez? Bem, como já afirmamos, não estamos falando aqui de morte física como
a conhecemos. A idéia da “morte” nessa e em outras passagens refere-se ao exílio, como já
demonstramos (vide Sal 107:10-14/Eze 37:12/Ose 13:14-16). Sabendo então que houve
dois grandes exílios (O primeiro, de 586 a 515 aEC e o segundo, do ano 70 EC até 1948),
poderemos perceber por que o profeta falou de “
morte
s
” e não de uma só “
morte
”. Assim,
a profecia se encaixa perfeitamente ao contexto histórico da experiência do povo judeu.
“...apesar de não ter feito violência e de não existir engano em sua boca”
- O
salmista afirma que embora o Servo (o justo remanescente de Isr ael) não tivesse se
esquecido de D-us e jamais agido de forma falsa contra o Pacto, todo aquele mal (o exílio)
lhes sobreveio (Sal 44:18). Sofonias afirma por outro lado, que o remanescente de Israel
não comete iniqüidade e nem profere mentiras, não achando-se engano em sua boca (Sof
3:13).
REFUTAÇÃO DA POSIÇÃO CRISTÃ
E quanto a Jesus? Bem, sabemos que ele morreu literalmente e que foi sepultado.
Entretanto, aprendemos de Isaías 53:9 que é impossível uma referência aqui à morte física,
uma vez que o profeta usa o plural e ninguém morre duas ou mais vezes! Temos aqui a
primeira impossibilidade da aplicação do texto a Jesus. A segunda diz respeito à sepultura
que deram ao Servo junto com os ímpios. Como sabemos, Jesus não foi sepultado
juntamente com ninguém, seja justo ou ímpio – ele esteve segundo os evangelhos, sozinho
no sepulcro de José de Arimatéia, que não era ímpio (segundo o NT), mas sim, rico. Jesus
não esteve com Arimatéia (um homem rico) em sua morte – logo, nem de longe poderemos
aplicar tal passagem a Jesus.
E será que não podemos encontrar
violência
e
mentira
nas palavras e ações de Jesus? O
que dizer do destino bárbaro e cruel que ele tenciona dar àqueles que não acreditam nele?
(veja Luc 19:27) Como esquecer da violência empregada por ele ao expulsar os cambistas?
(Mat 21:12) E o que dizer da mentira que Jesus proferiu ao dizer aos seus irmãos que não
iria à festa dos tabernáculos? Sabemos que depois que seus irmãos foram, ele para lá se
dirigiu, mas em secreto (João 7:2, 8-10) E o que dizer da maior mentira de todos os
tempos, ou seja, a mentir a da sua segunda vinda – visto que ele mesmo prometeu voltar
ainda naquela mesma geração? Quantas centenas de gerações se passaram desde então?
(Mat 24:34)

ISAÍAS 53:10
Va-Adonay chafetz dakeô hecheli. Im tassim asham nafshô yir'eh zerá yaarikh yamim
ve-chefetz Adonay be-yadô yitslach.
10 E ao S-nhor agradou ferí-lo, fazendo-o adoecer. Se ele imputar culpa à sua
alma, verá sua descendência prolongar os seus dias, e a vontade do S-nhor
prevalecerá pela sua mão.
“E ao S-nhor agradou ferí-lo”
- Sabemos pelo profeta Oséias que foi o S-nhor que feriu
Israel, Seu Servo, e é Ele mesmo quem os cura:

Vinde, e tornemos para o Senhor, porque ele despedaçou e nos sarará; fez a ferida, e no-
la atará
” (Ose 6:1)
“Se ele imputar culpa à sua alma...”
- Note que a tradução da frase deixa claro que o
Servo não tem culpa, mas se ele imputar culpa à si mesmo “verá sua descendência
prolongar os seus dias”. Ao longo do texto bíblico, vemos os profetas e os justos entre os
israelitas assumindo, tomando sobre si a culpa que não tinham pelos pecados do seu povo.
Daniel é um clássico exemplo:
Eu, pois, dirigi o meu rosto ao S-nhor D-us, para o buscar com oração e súplicas, com
jejum, e saco e cinza. E orei ao S-nhor meu D-us, e
confessei
, e disse: (...)
pecamos
e
cometemos iniqüidades, procedemos impiamente, e fomos rebeldes
,
apartando-nos dos teus preceitos e das tuas ordenanças.
(Dan 9:3-5)
Jeremias embora inocente assim como Daniel, assumiu a culpa do seu povo:

Nós
transgredimos, e fomos rebeldes
” (Lam 3:42)
“verá sua descendência prolongar os seus dias”
- O salmista afirma que os justos
florescerão como a palmeira (Sal 92:12), isto é, sua descendência permanecerá para
sempre; o S-nhor promete preservar os seus santos (Sal 37:28) e seus dias serão como os
dias da árvore (Isa 65:22).
“a vontade do S-nhor prevalecerá pela sua mão”
- Através do sofrimento inflingido
ao Servo, a vontade de D-us finalmente prevalecerá. Sabemos que Israel foi posto por luz
das nações (dos gentios) de acordo com Isa 42:6 e 49:6. Ao perceber a penúria e a aflição
do Servo do S-nhor, as nações serão finalmente compungidas, levadas a entender o
propósito do Eterno D-us. Assim, o véu posto sobre o entendimento dos gentios será
levantado (Isa 25:7) e os povos do mundo buscarão a D-us através do povo judeu (Zac
8:23), reconhecendo que só herdaram mentiras e ilusões (Jer 16:19-20).

REFUTAÇÃO DA POSIÇÃO CRISTÃ
E quanto a Jesus? Concordariam os cristãos que D-us agradou-se com a sua execução
sobre uma cruz romana? Dificilmente...
E o que dizer da frase, “se ele imputar culpa a sua alma”? Será que em algum momento
Jesus cogitou a hipótese de ter alguma culpa? Será que algum dia imputou culpa sobre si
mesmo, pedindo a D-us pelo seu povo? Não encontramos um só verso do NT que apóie
isso – muito pelo contrário, pois ele disse: “Quem de vós me convence de pecado?” (Joa
8:46). Jesus não soa nada humilde e nem um pouco disposto a imputar culpa a si mesmo,
compartilhando do destino do povo de D-us, assim como fizeram os justos e profetas no
passado.
E quanto à “descendência” de Jesus? Onde ela está? Deixou ele alguma semente na terra?
De que forma sua semente pode ela mesma “prolongar os seus dias”?
E o que dizer da “vontade do S-nhor” ? Terá ela prevalecido pela mão de Jesus? O que
vemos no mundo hoje depois de 2000 anos de existência do cristianismo? De que forma o
mundo mudou – para melhor ou para pior? E o conhecimento das leis de D-us, a que nível
está? O que as pessoas hoje em dia conhecem da Torá, da Palavra de D-us? Não há como
demonstrar que isso cumpriu-se nele, de forma alguma.
ISAÍAS 53:11
Me-amal nafshô yir'eh yisbá. Be-datô yatsdik tsadik avdi la-rabim va-avonotam hu
yisbol.
11 Ele verá e ficará satisfeito com o trabalho de sua alma. Através de seu
conhecimento, o meu Servo vindicará o Justo a muitos e as suas iniqüid ades
ele levará;
“Ele verá e ficará satisfeito com o trabalho de sua alma”
- O Servo verá com
satisfação que a obra de conversão do seu povo será finalmente coroada de êxito e que sua
vocação para ser luz dos gentios será gratificada pelo sucesso, como vimos no verso
anterior. O povo judeu pelo testemunho do Servo servirá plenamente o seu D-us,
observando fielmente Suas leis (Eze 37:24); os gentios buscarão ao Eterno e aprenderão
sobre Ele (Zac 8:23)
“Através do seu conhecimento o meu Servo vindicará o Justo”
- D-us será
plenamente vindicado pela obra do Servo, quando a mesma for concluída.
“...e as suas iniqüidades ele levará”
- O Servo como vimos, levou a culpa pelas
iniqüidades da maioria do povo rebelde; imputou culpa a si mesmo, sem embora ser
culpado (Daniel, Jeremias, etc).

REFUTAÇÃO DA POSIÇÃO CRISTÃ
E quanto a Jesus? Sua pretensa obra de redenção do povo judeu terminou em tragédia
para o povo de D-us, antes e depois do aniquilamento do estado judaico. Sua pretensa obra
de salvação dos gentios terminou em rejeição da Lei de D-us, de uma profunda fobia por
tudo que é judaico – e isso inflingiu ainda maiores sofrimentos sobre o Servo. Não
podemos ver como essa “obra” poderia satisfazer Jesus, a não ser que ele tenha inclinações
sádicas.
Não podemos de forma alguma dizer que Jesus vindicou o D-us de Israel pela sua obra.
Muito do preconceito contra os judeus que hoje existe foi semeado por distorções da
verdade sobre o judaísmo ensinadas por Jesus e seus sucessores. Jesus como dissemos,
não levou as inqüidades de ninguém, senão as dele mesmo. Aliás, ele jamais imputou culpa
sobre si mesmo e repelia todos aqueles que apontavam seus pecados.
ISAÍAS 53:12
Lakhen, achalek lo va-rabim, ve-et atsumim yechalek shalal tachat asher heerah la-
mavet nafshô ve-et peshayim nim'nah ve-hu chet rabim nassá ve-la-posheyim yafgía.
12 Portanto, eu lhe darei parte com os grandes e ele repartirá os poderosos
como despojo, pelo que derramou sua alma na morte, e foi contado com os
transgressores e levou o pecado de muitos e pelos transgressores intercederá.
“...parte com os grandes... repartirá os poderosos como despojo”
- A
recompensa do Servo será ver com satisfação que o povo de D-us e conseqüentemente o
próprio Eterno serão finalmente vindicados e as grandes nações ao reconhecerem isso,
trarão dádivas e honras (Isa 60:6-9) e os filhos de Israel despojarão aqueles que
antigamente os despojaram (Eze 39:10).
“...derramou sua alma na morte”
- a gloriosa recompensa do Servo é proporcional ao
seu grande desprendimento e altruísmo, pois não tendo culpa alguma, é levado à morte
junto com aqueles que de fato são os culpados e nisso ele foi “contado com os
transgressores”, isto é, foi considerado como um deles.
“e pelos transgressores intercederá”
- Lembremo-nos mais uma vez da grande
oração intercessória feita por Daniel em Babilônia, confessando o pecado do seu povo e
imputando culpa também a si mesmo (Dan 9). Jeremias fez o exatamente isso ao compor o
livro de Lamentações (Lam 3:42). O verbo
interceder
está aqui no futuro por uma razão
bem simples: a intercessão do Servo não está restrita apenas ao passado. O profeta
vislumbra por todo o caítulo 53 as penúrias e os sofrimentos pelos quais o Servo ainda
passaria (os dois exílios, pógroms, deportações, inquisições, holocausto etc) e dessa forma
usa o verbo no futuro de forma bem apropriada.

BIBLIOGRAFIA
1.
Bíblia Hebraica (Texto Massorético) –
The British and Foreign Bible Society
, 1958
2. Jewish Press Bible, JPB – edição on-line do site www.chabad.com
3.
Talmud da Babilônia, edição on-line do site
www.mechon-mamre.com
4.
Isaías – Introdução e Comentários (J. Ridderbos) Ed. Mundo Cristão
5.
Ezequiel – Introdução e Comentário (John B. Taylor) Ed. Mundo Cristão
6.
Daniel – Introdução e Comentário (Joyce G. Baldwin) Ed. Mundo Cristão
7.
Estudos na Bíblia Hebraica (Betty Bacon) Ed. Vida Nova
8.
Dicionário Hebraico-Português/Aramaico-Português (Ed. Vozes/Sinodal)
9. Dicionário Hebraico-Português (Ed. Sefer)
Autor: João Maria Alves Correia
jew.118@hotmail.com

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